TUTORES

 

Muitos animais de companhia ocupam hoje um lugar importante nos lares onde vivem, enriquecendo a vida dos seus tutores, prestando apoio em momentos difíceis e proporcionando companhia, sendo muitas vezes percebidos como membros da família. 

A perda destes vínculos significativos pode ser extremamente dolorosa para os tutores e exige um conjunto de mudanças e reformulações à vida sem o animal. Neste processo, é perfeitamente normal experienciar uma variedade de emoções intensas durante algum tempo, incluindo raiva, culpa, desespero ou profunda tristeza. Tanto os estudos qualitativos e quantitativos, assim como a nossa experiência clínica na área de intervenção no luto demonstram que a intensidade e a duração das reacções de luto (fisiológicas, emocionais, comportamentais, cognitivas e existenciais) por perda de um animal podem ser semelhantes, e até superiores, às do luto por perda de uma pessoa a quem se estava fortemente vinculado.

Ao contrário do que acontece com as perdas humanas, em que existe um reconhecimento pela dor da perda e diversos rituais estabelecidos que ajudam os enlutados a lidar com essa dor, o luto por perda de um animal é, ainda, pouco reconhecido. A ausência da ritualização da morte com procedimentos socialmente estabelecidos reflecte a falta de reconhecimento do sofrimento gerado por este tipo de perdas, podendo comprometer as trajectórias de luto e conduzir a lutos complicados.

 

De facto, embora cerca de 55% dos lares portugueses tenham, pelo menos, um animal de companhia, o luto por perda de um animal tende a ser pouco reconhecido pela sociedade, o que Kenneth Doka designou por luto desautorizado. É comum as pessoas sentirem que o seu sofrimento não é legitimado pelas pessoas com quem interagem no seu dia-a-dia e terem de lidar com comentários que desvalorizam o seu sofrimento e o significado profundo que o animal representa na sua vida. A falta de validação do sofrimento gera revolta e ansiedade. Perde-se, portanto, uma oportunidade de se acolher o sofrimento destas pessoas, responder às suas necessidades relacionais na circunstância vulnerável em que se encontram e facilitar a integração do luto. Uma das consequências da vivência de um luto desautorizado é a inibição da procura de ajuda nas redes de apoio, inclusive ajuda profissional. Muitas pessoas referem que se sentem ridículas por procurar ajuda por perda de um animal, antecipando uma minimização do seu sofrimento por parte dos outros e levando frequentemente ao isolamento social e outras estratégias desadaptavas associadas a complicações do luto.

 

O resPET procura exactamente combater o luto desautorizado por perda de um animal através da partilha de informação e dos resultados dos nossos estudos nesta área, promovendo lugares em que as pessoas em luto possam partilhar e discutir as suas vivências de luto, realizando actividades formativas na comunidade de forma a sensibilizar os agentes sociais para esta realidade e a desenvolver competências para responder às necessidades das pessoas em luto, e disponibilizando serviços clínicos de apoio dirigidos a pessoas que estão com dificuldades no seu processo de luto ou que se confrontam com situações adversas, tais como a recepção de notícias devastadoras (por exemplo, que o seu animal está em estado terminal) ou tomada de decisões complexas em fim de vida (por exemplo, eutanásia).

 

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